MPE denuncia pais de garota por homicídio e mais 4 crimes

Entre os crimes citados por promotor de Justiça, estão corrupção de menor e fraude processual


O Ministério Público Estadual ofereceu nesta sexta-feira (6) denúncia contra o empresário Marcelo Cestari e sua esposa Gaby Soares de Oliveira Cestari, pais da adolescente que atirou e matou a amiga Isabele Guimarães Ramos, em julho, em Cuiabá.

O casal foi denunciado pelos crimes de homicídio culposo, entrega de arma de fogo a menor, fraude processual e corrupção de menores. Já Marcelo Cestari vai responder sozinho por posse ilegal de arma de fogo.

O caso aconteceu no dia 12 de julho no Condomínio Alphaville, na Capital. Isabele, de 14 anos, foi morta com um tiro no rosto disparado pela amiga da mesma idade.

Com efeito, os denunciados, como pais, tendo o dever de cuidado, proteção e vigilância dos seus filhos, foram extremamente desidiosos e omitiram-se nos seus relevantes papéis legais

A denúncia é assinada pelo promotor Milton Pereira Merquiades e foi encaminhada para a 8ª Vara Criminal de Cuiabá.

Quando trata do crime de homicídio culposo, o promotor faz um relato dos acontecimentos que antecederam a morte da garota, dando ênfase à manipulação das armas de fogo na casa na frente dos adolescentes. Isabele foi morta com uma arma de fogo que a amiga levara para o quarto a pedido de seu pai.


"Restou apurado que, naquele momento em que Marcelo fazia a manutenção das armas, estas eram repassadas de mão em mão entre os adolescentes, sob os olhares inertes dos denunciados Marcelo e Gaby, que mesmo visualizando aquela situação, nada fizeram para interrompê-la, parecendo tudo muito normal, como se os adolescentes estivessem ali reunidos utilizando seus respectivos tabletes e smartphones, situação que escancara a negligência dos denunciados, ante aos seus deveres legais em impedir o alcance das armas de fogo por parte dos menores", escreveu o promotor.

"Com efeito, os denunciados, como pais, tendo o dever de cuidado, proteção e vigilância dos seus filhos, foram extremamente desidiosos e omitiram-se nos seus relevantes papéis legais, em especial, da menor (...), ao não impedir seu acesso as armas de fogo, culminando com esta desferindo, seja culposamente ou não, um disparo fatal em face da vítima menor Isabele".

Conforme o promotor, ao não tomar os cuidados necessários de vigilância, o casal concorreu para que a filha desferisse o tiro que matou a amiga.

Outros crimes

Ao relatar a posse ilegal de arma de fogo, crime ao qual somente Marcelo deverá responder, o promotor citou a pistola Tanfoglio calibre 38, pertencente ao veterinário Glauco Correa da Costa, pai do namorado da menor que atirou.

"Descortinou-se que, a conduta atribuída ao denunciado era  ilícita, uma vez que, mesmo ele sendo registrado como caçador, atirador e colecionador, tem perfeita consciência que somente poderia ter em seu poder, armas de fogo registradas em seu nome, o que não era o caso", disse Merquiades.

Sobre o crime de entregar arma a menor, o promotor citou também um vídeo divulgado pela imprensa em que a adolescente que atirou manuseava uma arma dentro de casa, o que contraria a legislação.

"Referida conduta, é sabida, totalmente ilegal, uma vez que, o manuseio de armas para menores praticantes de tiro somente pode ser feito no clube de tiro apropriado, com a supervisão do responsável ou instrutor", escreveu o promotor.

A adolescente Isabele Ramos, que morreu em julho deste ano no Alphaville

O quarto crime citado na denúncia é de fraude processual. No trecho, o promotor relata o depoimento de um servidor do Samu (Serviço de Atendimento Médico de Urgência), que logo após o crime viu Gaby Cestari tentando retirar da mesa da casa apetrechos de manutenção de armas de fogo.


"Observa-se dos autos que, após ocorrido o evento fatídico em face da menor vítima Isabele, uma equipe do Samu foi acionada, sendo que, no momento em que adentraram à residência, perceberam que a denunciada Gaby estaria recolhendo vários apetrechos de manutenção de arma de fogo, os quais encontravam-se sob uma mesa na sala da residência", disse Marquiades.

No caso da corrupção de menores, o representante do MPE citou dois fatos que comprovariam o crime. O primeiro ocorreu em fevereiro, quando a menor foi filmada manuseando uma arma de fogo em casa. O segundo, o próprio dia da tragédia, quando o pai pediu que a garota guardasse a arma no quarto.

O caso

Isabele foi atingida com um tiro no rosto, por uma arma que estava sendo segurada pela amiga na noite de 12 de julho, um domingo.

A perícia de necropsia, produzida pelo Instituto de Medicina Legal (IML), apontou que o disparo foi realizado no rosto da adolescente, a curta distância, e causou traumatismo crânio-encefálico.   

À Polícia, a adolescente que atirou disse que foi em busca da amiga no banheiro do seu quarto levando em mãos duas armas.

Em determinado momento, as armas, que estavam em um case, caíram no chão. “A declarante abaixou para pegar os objetos, tendo empunhado uma das armas com a mão direita e equilibrado a outra com a mão esquerda em cima do case que estava aberto", revelou a menor em depoimento.

"Que em decorrência disso, sentiu um certo desequilíbrio ao segurar o case com uma mão, ainda contendo uma arma, e a outra arma na mão direita, gerando o reflexo de colocar uma arma sobre a outra, buscando estabilidade, já em pé. Neste momento houve o disparo", acrescentou.

https://www.midianews.com.br/cotidiano/mpe-denuncia-pais-de-garota-por-homicidio-e-mais-4-crimes/387521

EDIÇÃO DE HOJE Nº 118

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