Judoca relembra luta contra bactéria e rompimento de ligamento no auge da carreira

Judoca de RO relembra luta contra bactéria e rompimento de ligamento no auge da carreira: 'luz no fim do túnel', Lilian Lenzi estava prestes a disputar o panamericano quando descobriu bactéria

Amor à primeira vista é o que aconteceu com Lilian Lenzi, judoca de 33 anos que teve sua vida transformada pelo esporte e foi até a Hungria, defender o Brasil no Mundial de Judô. Mas, um rompimento no ligamento do joelho esquerdo e uma bactéria hospitalar interromperam o sonho da atleta.

COMO TUDO COMEÇOU Aos nove anos de idade, Lilian Lenzi assistiu a uma apresentação do seu professor Nunes e ganhou uma semana de treino grátis em Cacoal-RO. - Até então, eu nem sabia o que era judô e nem sabia que existia judô na face da terra - relata Lilian.

Lilian Lenzi no Sulamericano de 1999 — Foto: Arquivo Pessoal/Lilian Lenzi Os treinos grátis acabaram e a vontade de continuar treinando continuou. Mas, a baixa condição financeira da família não permitiu que ela continuasse. Sem treinar, Lilian teve que se apegar à amizade de seu vizinho, que era judoca. Ele mostrou a medalha que havia ganhado em uma competição local e despertou em Lilian, o desejo de conquistar medalhas. - Eu nunca tinha visto uma medalha de perto e quando eu vi aquela medalha, de segundo lugar, aquelas mais simples, aí eu fiquei louca e falei pra mim mesma ‘eu tenho que ganhar uma medalha’ - lembra. Com testes abertos para bolsistas, na academia do amigo, a futura medalhista se dedicou e conquistou uma vaga. Depois de alguns treinos, a oportunidade de competir e conquistar a primeira medalha surgiu. Aos dez anos de idade, a judoca viajou para competir no campeonato Norte-Nordeste e se sagrou campeã.

Lilian Lenzi na seletiva — Foto: Arquivo Pessoal/Lilian Lenzi - A partir daí, não parei mais de trazer medalhas. Fui campeã rondoniense, brasileira, juvenil, estadual, adulta, panamericana e sulamericana. Rondônia estava pequena demais pra mim' - diz. GRANDES OPORTUNIDADES Com 20 anos, ainda em sua cidade natal, tentou uma bolsa de estudos de ensino superior e não conseguiu. Com o apoio da Federação Rondoniense de Judô, que ficava em Ji-Paraná-RO e possuia vínculo com uma universidade, conseguiu uma bolsa de Educação Física e trocou de clube. Desde então, começou a representar Ji-Paraná e foi morar na federação. - A federação meio que me adotou - relata a atleta. Lilian lembra que no seu primeiro semestre com o novo clube, recebeu uma proposta para mudar para a Universidade do Rio Grande do Sul e defender o estado gaúcho. Com o convite aceito, a judoca começou a ganhar consecutivamente e obteve grandes resultados no judô feminino. Competiu no mundial de judô na Hungria e depois disso, ficou entre as cinco melhores judocas do país. O ACIDENTE E O TRATAMENTO No auge da carreira, após vencer da sua maior adversária e ser classificada para disputar a vaga que representaria o Brasil na seletiva olímpica e garantiria a primeira participação do Brasil no panamericano, a atleta rompeu o ligamento do joelho esquerdo nos treinos e teve que ficar fora dos campeonatos e olimpíadas. - A minha meta era ser campeã do mundo. Meu sonho era ir para as olimpíadas e se Deus permitisse, medalhar também. Esses eram os planos que eu tinha. Eu estava treinando para isso, mas fui impedida por causa da lesão - conta. Lilian fez a primeira cirurgia do joelho e no período de internação, adquiriu uma bactéria hospitalar. Ficou 40 dias de cama, com febre alta, pois a bactéria era resistente e os médicos não conseguiam achar os remédios certos para combatê-la. Após um ano, foi descoberto que a bactéria não havia morrido e a opção foi criar uma cápsula gelatinosa em seu joelho. Depois de novas investigações, a única saída seria uma nova cirurgia. - Ao todo foram feitos seis procedimentos cirúrgicos – conta Lenzi. Como atleta da seleção, teve apoio da Confederação Brasileira de Judô (CBJ) e foi encaminhada para São Paulo, para uma nova avaliação médica. Após novas análises, a atleta foi para um hospital em Porto Alegre-RS, onde foi realizado suas últimas intervenções cirúrgicas.

Lilian lenzi fazendo tratamento — Foto: Arquivo Pessoal/Lilian Lenzi ' Depois de todos os procedimentos, os médicos me falaram 'você não pode mais ser atleta e como pessoa normal, você vai ser limitada' - relembra. NOVA VIDA Lilian conta que se afastou do esporte por aproximadamente 14 anos e tentou viver uma vida normal. Casou e teve uma filha. O retorno para Rondônia a deixou surpresa e feliz. 'Não esperava que eu fosse ser recebida assim, com tanto carinho. Tô sendo muito bem tratada e estou tendo o maior apoio da federação, eles resolveram e sentiram essa vontade de me ajudar - relata.

Lilian Lenzi com os novos atletas da Federação de Judô de Rondônia — Foto: Arquivo Pessoal/Lilian Lenzi O presidente da Federação de Judô de Rondônia, Antônio Carlos Tenório, conta sobre a felicidade de receber a atleta. - A federação de judô de Rondônia está muito feliz com a volta dela para o Estado. Não estamos fazendo nada que nós não poderíamos fazer para ajudar essa judoca fantástica que é a Lilian Lenzi- conta o presidente. Após sua chegada, Lilian recebe novo tratamento e tem esperança de voltar aos treinos. O médico José Wilson Serbino, ortopedista/traumatologista fala sobre o seu novo tratamento. - Hoje ela não tem mais a infecção, mas ela tem um desgaste precoce e prematuro que impossibilita a prática esportiva plena dela. O que a gente tenta fazer não é melhorar o desgaste, mas é fazer um trabalho de fortalecimento e com esse fortalecimento, melhorar a musculatura dela, para que ela possa melhorar o padrão atual de performance - explica o médico.

Lilian Lenzi em consulta com o Dr. Serbino — Foto: Arquivo Pessoal/Lilian Lenzi Para Lilian Lenzi, o novo tratamento é uma luz no fim do túnel e trás confiança para que ela se supere. - Não consigo descrever o tamanho da minha felicidade, não só como atleta, mas como uma ser humano. É uma luz no fim do túnel. O fato de eu poder ganhar esses músculos de novo, está me gerando muita esperança e estou em busca disso agora. Irei fazer o tratamento certinho. É uma recuperação no qual esperei a minha vida inteira - diz.

Por GloboEsporte.com


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EDIÇÃO DE HOJE Nº 118

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