Amigas criam projeto para alimentar animais abandonados na Capital

Thaynara e Thaís usam cano de PVC para construir comedouros; dupla busca doações para manter o trabalho


Com intuito de conscientizar a população e ajudar animais em situação de rua, as amigas Thaynara Rodrigues, 26 anos, e Thaís Dall’Agnol , de 29, criaram o projeto “Empatinhas”, responsável por alimentar e castrar cachorros e gatos abandonados nas diversas regiões de Cuiabá.

As estudantes antes de darem o pontapé inicial ao projeto já se dedicavam a tentar amenizar o sofrimento desses animais em pontos próximos às suas casas.

Em entrevista ao MidiaNews, Thaynara e Thaís relataram que sempre tiveram esse sentimento interno, que às incentivavam a fazer o possível para ajudar os animais. Por isso, ambas andavam com sacos de ração no carro para que pudessem distribuir caso vissem animais passando por necessidades.

“Começamos a pensar o que poderia ser feito para auxiliarmos de forma mais efetiva. Até mesmo um jeito melhor para colocar a ração, porque na minha rua sempre precisei repor os potinhos porque ventava, eles iam para a rua e carro atropelava. Por isso, a gente começou a idealizar uma forma melhor”, explica Thaynara.

O que a gente quer muito é o máximo de ajuda possível para castrar. Porque acho que a raiz do problema é esse: a reprodução do animal

Apesar da vontade em iniciar o projeto, eram apenas as duas amigas envolvidas na ação social, o que tornava financeiramente difícil tirar as ideias do papel.

No entanto, como uma coincidência do destino, uma colega de Thaís conseguiu um patrocínio inicial que tornou possível a criação do Empatinhas.

Nagela de Moura conhecia os donos de um restaurante que estavam interessados em ajudar financeiramente algum projeto social. A amiga, então, sugeriu que o auxílio fosse direcionado a Thaís e Thaynara, sugestão que foi aceita pelos “patrocinadores”.

Os proprietários do estabelecimento proporcionaram uma venda de sushis veganos e todo valor arrecado foi doado ao Empatinhas. A iniciativa foi o que deu forças para que as amigas pudessem expandir o trabalho por outras regiões de Cuiabá.

Com comedouros e bebedouros construídos à mão a partir de canos de PVC, Thaís e Thaynara começaram a alimentar diversos animais espalhados pela Capital.

“A princípio, a gente combinou de dar preferência para locais próximos aos nossos endereços. Sempre lugares que têm grande fluxo de animais, gente passando e com câmeras, para evitar envenenamento de pessoas que passam por aquela região”, explicam.

A raiz do problema

Uma estimativa feita pela Prefeitura de Cuiabá apontou que existem cerca de 14 mil cães e gatos abandonados nas ruas da Capital. O cálculo é feito com base em informações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que fez uma projeção de 2021.

A pesquisa calcula que em uma cidade grande para cada cinco habitantes há um cachorro. Dessa forma, Cuiabá, uma cidade de 700 mil habitantes, teria então 140 mil animais domésticos. Deste número, a estimativa é de que 10% deles estejam abandonados.

A estimativa também revela um cenário triste de maus-tratos que vem se intensificando com a pandemia da Covid-19. Estes fatos e as próprias vivências das amigas, ao iniciarem a ajuda aos animais, trouxeram uma grande consciência para elas de que só alimentar e dar água não adianta.

A dupla comenta que o problema enfrentado pelos cachorros e gatos é muito mais profundo e preocupante.

A falta de assistência básica garantida a maioria dos animais gera, além das doenças diversas, uma reprodução em massa. Uma gata pode ter em média de 3 à 7 filhotes em uma gestação, enquanto uma cadela, dependendo do porte, consegue ter de 2 à 6 filhotes. Essa situação contribui para que o número de animais em situação de rua aumentem de forma gradativa.

“O que a gente quer muito é o máximo de ajuda possível para castrar. Porque acho que a raiz do problema é esse: a reprodução do animal. Não adianta, a gente ajudar um e no mesmo lugar a gata dá cria e tem 10 filhotes. Dá a sensação de que estamos enxugando gelo. A gente queria que as autoridades dessem atenção ao projeto, para que a gente possa castrar o máximo de animais possíveis”, afirma Thaís.

Um dos casos mais marcantes que as amigas relataram foi quando resgataram uma gata para castração na garagem de uma loja de telefonia. Elas contam que o próprio segurança do estabelecimento afirmou que a situação estava insustentável, pois o animal já havia tido várias gestações.

Arquivo Pessoal Os comedouros e bebedouros ficam espalhados em diversos pontos da Capital

Cada vez mais preocupadas com a superpopulação de animais abandonados, Thaís e Thaynara se empenharam ainda mais em tentar castrar o máximo de cachorros e gatos que pudessem.

A dupla diz, entretanto, que o desejo é difícil, principalmente pela falta de recursos.

Thaynara explica que apenas a castração de gatos custa, normalmente, de R$ 100 a R$ 120 dependendo da clínica. Já de cachorros são mais caros e os valores variam de acordo com o tamanho e o peso do animal.

Pelo alto preço do tratamento, as amigas buscam ajuda de doações e também apadrinhamento de castração em seu Instagram.

“A gente, às vezes, não tem condição de chegar com um animal em uma clínica, pagar consulta, a castração e os remédios. É complicada essa situação, estamos buscando parceria com clínicas veterinárias para conseguir o valor mais em conta possível, já que a gente vive de doação”, explicam.

Planos futuros

Além do projeto, Thaynara hoje se dedica aos estudos de medicina veterinária, enquanto Thaís se empanha na faculdade de nutrição. Ambas conciliam a rotina corrida e fora do comum, devido à pandemia, com as ações para ajudar os animais.

Apesar da rotina corrida e, muitas vezes, a falta de suporte, ao serem questionadas sobre o destinho do Empatinhas ambas concordam que é um projeto que elas pretendem continuar exercendo. Hoje com o ganho de visibilidade nas redes sociais, as duas estão recebendo uma demanda de pedidos de comedouros e bebedouros em diversos pontos da Capital.

Se a gente ignorar e ninguém fizer nada, as coisas vão daqui para pior

Como trabalham apenas as duas, elas contam que já tem filas de pedidos que estão sendo estudados por prioridade. Segundo elas, o desejo era poder ajudar todo mundo, mas é impossível tendo apenas as duas trabalhando. Por isso, elas apelam que a própria pessoa, caso tenha condição, deixe alimento a água enquanto elas não conseguem ir até o ponto.

“Pra quem se identifica, tente ajudar a gente da forma que puder. Cada um tem um jeito de ajudar, às vezes as pessoas preferem doar dinheiro, outras doam ração ou, até mesmo, doar seu tempo, mas é necessário uma atenção aqui em Cuiabá e em vários pontos”, finaliza Thais.

“Não dá para a gente virar a cara e não ver o problema que está ali. Se a gente ignorar e ninguém fizer nada, as coisas vão daqui para pior”, acrescenta Thaynara.

Doações

Os interessados em fazerem doações em qualquer valor podem utilizar a conta bancária do Empatinhas ou depoistar por Pix.

Chave do Pix: 028.068.071-66

Banco Nubank

Agência: 0001


EDIÇÃO DE HOJE Nº 118

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