A MIGRAÇÃO DA PISCICULTURA FAMILIAR PARA UMA PISCICULTURA TECNIFICADA EM RONDÔNIA


O principal papel da aeração é fornecer oxigênio para os peixes, os aeradores proporcionam maior segurança e aumento de produtividade no cultivo

A piscicultura surgiu timidamente em Rondônia como investimento de empresários com certa habilidade na produção de peixe. Mas, historicamente, a piscicultura teve seu desenvolvimento na agricultura familiar, por meio dos incentivos de hora/máquinas pelo governo do Estado para a construção de tanques escavados.

“A iniciativa surgiu como mais uma oportunidade de potencializar a cadeia produtiva e o homem no campo com mais uma fonte de renda para agricultura familiar”, lembra Francisco Hidalgo Farina, produtor e presidente da Associação dos Criadores de Peixes de Ariquemes e Região (Acripar).

Essa expansão foi assistida de perto pela Entidade Autárquica de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Rondônia (Emater-RO), que vem atuando junto aos piscicultores na regularização ambiental dos empreendimentos, na orientação quanto ao manejo produtivo e arraçoamento, e nas questões sanitárias. “Enfim, a gente acompanha desde a implantação do viveiro de produção até a comercialização,” comenta Francisco de Assis Sobrinho, gerente técnico da Emater-RO.

Maria Mirtes Pinheiro, gerente de Aquicultura e Pesca da Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri), destaca que o crescimento da piscicultura em Rondônia nos últimos anos vem ocorrendo, principalmente, pela entrada de médios e grandes empreendimentos e a adoção de novas tecnologias na atividade que, em pouco tempo, permite aumentar a produtividade nos tanques. “Por exemplo, se o produtor adotar aeradores nos tanques, tomar alguns cuidados com o manejo e a qualidade da água, pode subir de seis toneladas por hectares de espelho de água para oito toneladas,” exemplifica.

Sobrinho salienta que tem atuado junto às principais instituições de pesquisa sobre piscicultura no Brasil, como a Embrapa Pesca e Aquicultura, Universidade Federal do Amazonas e de Rondônia, com o objetivo de construir parcerias em busca das soluções e tecnologias para o desenvolvimento da piscicultura estadual. “Temos a preocupação tanto na qualidade da água, na questão da análise do solo e sanidade. Os problemas surgem e a gente tem atuado em parceria atendendo a determinação do governo do Estado para solucioná-los”.

A piscicultura (criação de peixes) como especialização produtiva da pecuária, em Rondônia, vem testando a integração entre vários sistemas produtivos como o pira-cacau, o pira-leite, o piraçaí e a integração Lavoura-Pecuária (iLP) com objetivo da otimização e o engrandecimento do desenvolvimento socioeconômico ambiental dos recursos naturais.

Farina descreve que estando em uma região de expansividade, não é barato ocupar o solo. E para ocupar o solo racionalmente, a integração é a uma grande oportunidade, pois quando planta na parte agricultável, cria o peixe na parte hídrica da fazenda e, ainda, devolve para a natureza aquilo que é de direito dela. “ A reconstituição das áreas de preservação permanente (APPs) e a valorização da água são fundamentais. Porque você não cria peixe se não potencializar, cuidar e enriquecer a água e todo o cenário que está à sua volta. Então, estamos devolvendo para a natureza o que é da natureza,” enfatiza o produtor.

  • Fonte: Texto: Dhiony Costa e Silva Fotos: Arquivo Secom


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