Alerta sobre leptospirose com a baixa de áreas alagadiças


Com o fim do inverno e a baixa das águas em áreas alagadiças em Rondônia o risco de leptospirose aumenta

Com a baixa das águas em áreas alagadas durante o período de inverno amazônico, aumenta o risco de incidência de leptospirose, a doença infecciosa transmitida pela urina de roedores, como o rato de telhado, a ratazana, e a catita. A Agência Estadual de Vigilância em Saúde (Agevisa) alerta para os cuidados que os rondonienses devem ter para evitar a doença, que no estado tem registro de casos durante todo o ano.

“A ratazana ou rato de esgoto é o que mais transmite essa doença, e o contato com a urina é meio de contágio. É muito comum que eles façam suas tocas em terrenos com acúmulo de lixo e entulhos, e em bueiros. Se essas águas transbordam, trazem a urina e as fezes dos ratos com elas. E aí, o maior problema é quando a água está baixando, deixando para trás todas as bactérias (leptospiras) no local”, explica a coordenadora estadual de Vigilância e Controle da Leptospirose e Pragas, Luzimar Amorim.

Para cada balde com 20 litros de água, é recomendado 200 ml de água sanitária. “É só fazer a mistura e espalhar no ambiente, deixando agir por 20 minutos, e lavando o local após o tempo de ação do produto, sempre usando o equipamento de proteção das mãos e pés. É importante também o cuidado com alimentos mal embalados. Se o alimento ficou exposto ou o roedor roeu o pacote, geralmente ele deixa fezes e urina, então a preferência é que seja descartado. Caixas d’água sem tampa também devem ser limpas. Esvazie a caixa, esfregue bem com uma escova ou esponja, e depois dessa limpeza, para cada mil litros do reservatório, espalhe um litro de água sanitária e deixe agir por 30 minutos. Encha a caixa e após 1h30 abra as torneiras, para que essa mesma água passe pela canalização e faça a desinfecção dos canos. Essa mesma água pode ser utilizada para a limpeza da casa”, esclarece a profissional.

Nas áreas rurais, a coordenadora alerta para o acondicionamento dos alimentos no paiol. “Geralmente são lugares cheios de frestas ou com abertura entre o telhado e as paredes, o que dá acesso ideal para os roedores. E lá, tanto pode ter o roedor urbano, que já foi deslocado dentro de malas e caixas de alimentos, quanto os roedores silvestres, que são ainda piores por terem a possibilidade de transmissão de outras doenças”.

Dados

Nos últimos cinco anos, foram confirmados 314 casos em pacientes com residência em Rondônia, sendo registradas 11 mortes do total. As suspeitas seguem a ordem: 2014 = 861; 2015 = 429; 2016 = 733; 2017 = 364; 2018 = 141. Os municípios com maiores registros de confirmação desde 2014 até esta semana, foram Porto Velho (92 casos), Ouro Preto (90 casos), Machadinho D’Oeste (45 casos), Cacoal (15 casos), e Candeias do Jamari e Ariquemes empatados (13 casos).

Para a coordenadora, os números seriam muito mais expressivos com o diagnóstico diferencial, e se os pacientes com os sintomas iniciais procurassem sempre uma unidade de saúde. Observar que os casos evoluem para a forma mais grave com a dor nas panturrilhas, risquinhos vermelhos nos olhos, icterícia (presença de cor amarela ou alaranjada) de pele e mucosas (principalmente nos olhos), além da febre, dor no corpo e dor de cabeça, que são os primeiros sintomas.

“Muitas vezes o próprio paciente não procura a unidade de saúde por achar que está com uma virose. Alguns só procuram quando evolui. E não é porque o indivíduo já pegou a leptospirose uma vez que ele não possa ser infectado novamente. São 22 tipos da bactéria, ou seja, ainda tem 21 possibilidades, por isso é importante termos esses registros e o trabalho dos municípios na hora de identificar os casos”, conclui Luzimar.

Por RedaçãoDIÁRIO DA AMAZÔNIA


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