Incentivos a indústrias perto de penitenciárias


Proposta do senador Acir Gurgacz é analisada pela Comissão de Justiça e Cidadania.

Está na pauta de votações da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) projeto de lei que incentiva a criação de polos industriais nas proximidades dos complexos penitenciários. A ideia do senador Acir Gurgacz (PDT-RO) é que esses espaços sejam compostos por empresas que contribuam para a formação profissional e o exercício de atividade laboral pelo condenado.

A proposição altera a Lei de Execução Penal (Lei 7.210/1984) para determinar que a União, os Estados, o Distrito Federal e os municípios poderão celebrar convênio ou parceria com a iniciativa privada, para possibilitar a construção de instalação próxima ao complexo penitenciário e a implementação de sua linha de produção, devendo a empresa, após o início de suas atividades, formar seu quadro de empregados com, no mínimo, 30% de condenados.

O texto estabelece também que a matéria-prima utilizada na linha de produção de empresa será isenta de qualquer espécie de tributo. E prevê que a remuneração para o condenado que exerça atividade laboral não poderá ser inferior a um salário mínimo. O projeto ainda exclui a necessidade de cumprimento de um sexto da pena, constante da legislação atual.

Na justificação, Acir Gurgacz argumenta que a sociedade não pode e não deve arcar com o alto custo decorrente da manutenção de condenados nos estabelecimentos prisionais. A solução seria, então, incentivar o trabalho do preso, para que ele próprio suporte as despesas, que incluem alimentação, conservação da unidade prisional, investimentos tecnológicos de segurança e construção de novas unidades, fora os salários dos agentes prisionais.

O senador Roberto Rocha (PSB-MA), relator da matéria na CCJ, apresentou texto substitutivo ao projeto para propor que o limite máximo de presos seja de até 20% do pessoal empregado.

Custos

Com a quarta população carcerária do mundo, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Brasil gasta em média R$ 2,4 mil por mês para cada preso. Esse valor varia de acordo com a região do País, a estrutura e a finalidade da unidade prisional. Nas penitenciárias federais, administradas pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen), o custo de cada preso é de cerca de R$ 4 mil.

Os recursos para a manutenção do sistema prisional vêm do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen), que é composto de dotações orçamentárias. Em 2017, o montante foi de pouco mais de R$ 690 milhões.

Por Agência Senado


EDIÇÃO DE HOJE Nº 118

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