Dnit já admite elevação da BR 364


Trechos poderão ser elevados caso as águas deixem o leito da rodovia submerso.

O superintendente do Dnit em Rondônia, Claudio André Neves, deixou evidente que se realmente houver nova grande enchente do rio Madeira a Usina de Jirau poderá realizar os procedimentos para elevar o leito da rodovia nos principais pontos que a água inunde a BR-364. Ao site acre24h, Neves informou que o objetivo é não deixar o Acre e municípios de Rondônia isolados por terra como aconteceu em 2014.

Na capital, para evitar os mesmos problemas do passado, a prefeitura de Porto Velho, em conjunto com a Defesa Civil, elaborou um plano de contingência para socorrer a população caso haja uma nova grande enchente. Além do monitoramento do rio e dos locais que estão localizados na mancha de alagação, o prefeito Hildon Chaves iniciou procedimentos de registro dos preços de cestas básicas que poderão ser destinadas às famílias que correm o risco de ser atingidas.

Quase quatro anos depois da cheia histórica do rio Madeira o aumento no volume das águas amedronta a população e as autoridades diante da possibilidade de uma nova grande enchente. Em monitoramento realizado ontem (16) foi constatado o nível do rio Madeira de 13,71 metros, sendo que o estado de alerta pode ser decretado quando o rio ultrapassa 14 metros. Na cheia histórica de 2014 a cota do Madeira atingiu mais de 19 metros, destruindo lares, inundando órgãos públicos, peças históricas e provocando inúmeros prejuízos.

Parte do patrimônio histórico de Rondônia foi atingido pela força das águas. Na época várias peças antigas foram retiradas do galpão da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré na tentativa de garantir a preservação. Os moradores lamentaram assistir as centenárias locomotivas submersas.

Enchente de 2014 atingiu mais de 20 mil

Na última grande cheia, mais de 20 mil pessoas foram atingidas e as famílias desalojadas tiveram que morar em barracas, escolas, casas de parentes ou em residências alugadas. Órgãos públicos também foram atingidos: as sedes do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e da Receita Federal foram inundadas e as atividades ficaram paralisadas temporariamente, obrigando os órgãos públicos a mudarem de endereço. Outro grave problema foi o aumento generalizado de doenças, como malária, dengue e diarreias. Na época o Laboratório Central de Rondônia (Lacen) apontou que houve aumento de mais de 300% de casos de leptospirose nos primeiros 72 dias de 2014, se comparados com o mesmo período de 2013.

Em 2014 Francivaldo Estevo, que morava com a família na rua Limeira, no bairro São Sebastião, foi um dos atingidos pela enchente. Segundo ele, os principais prejuízos foram materiais. “Passamos sufoco e não gosto nem de lembrar. Eu e minha família tivemos que pagar aluguel, tivemos muitos danos materiais, principalmente nos eletrodomésticos. Meus filhos sofreram também. Como tivemos que sair da nossa casa e fomos morar na zona Leste, eles trocaram de escola e demoraram um pouco para se acostumar”, disse.

Enchente pode isolar rio branco

O estado do Acre ficou isolado do resto do País, já que a BR-364 é a única rodovia que liga o Estado aos outros pontos do Brasil. Durante a cheia o Acre ficou quase sem combustível e alimentos e com risco de desabastecimento de remédios. As famílias que perderam suas casas ficaram em um Parque de Exposições ou em um ginásio.

As chuvas dos céus bolivianos que provocaram a elevação do rio Beni, que nasce na Cordilheira dos Andes e deságua no Madeira, influenciaram no aumento da cota, porém especialistas também indicaram que as usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio teriam provocado o aumento no volume de águas.

Nesta semana, o governo Estadual entrou em contato com a Agência Nacional de Águas (ANA) para informar a situação e solicitar apoio em caso de nova grande cheia do Madeira.

Por Ana Kézia GomesDIÁRIO DA AMAZÔNIA


EDIÇÃO DE HOJE Nº 118

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