Campus Cacoal encerra ciclo de produção do girassol


Mais que beleza, o cultivo tem aplicação de ensino e extensão na rotina do IFRO

Desde o início do ano, uma paisagem tem conquistado alunos e servidores que transitam pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO) em Cacoal. Estamos falando de uma plantação de girassóis, cultivada pelo Departamento de Integração Ensino, Pesquisa e Extensão (Diepe) e que se tornou o palco perfeito para inúmeras selfies divulgadas nas redes sociais.

Alunas do Campus Cacoal, as amigas Scheila Cristina e Karina Engelhardt, do segundo ano do Técnico Integrado em Agropecuária, tiraram um dia para tirar fotos dos girassóis – e com os girassóis. “É uma planta linda! Gosto muito da cor dela e da estrutura dela também. É muito bonita mesmo”, disse Karina.

A admiração pela flor é tanta que Scheila, inclusive, escolheu uma das imagens tiradas na sessão para concorrer em um concurso de fotografia promovido pelo Campus. “Gosto muito de fotografia e quando saiu o concurso tive essa ideia de usar uma foto do girassol. Movimentei toda a minha família para me ajudar a escolher qual foto ia inscrever, porque tinham vários ângulos das flores. Elas são lindas”.

Questionadas se a planta já foi matéria em sala de aula, as duas contaram que ainda não estudaram sobre o girassol e confessaram não saber muito de suas aplicações. “Quando inscrevi a foto no concurso, pesquisei um pouco sobre ela, mas sei as coisas básicas: que elas sempre apontam para o sol, que trazem harmonia ao ambiente e muita beleza. Fora isso, não sei muitas coisas”, arrisca Scheila.

Didática

Mais que uma bela paisagem, no IFRO os girassóis valem como ensino em sala de aula e extensão no campo. Estudantes dos terceiros anos dos cursos integrados, além dos alunos do Subsequente em Agropecuária e do Tecnólogo em Agronegócio, são convidados a participar de uma prática de estágio em que ocorre todo o processo de produção do girassol, desde o plantio até a debulha do capítulo.

“De forma simplificada, chamamos de capítulo a flor do girassol, que é visualmente o mais atrativo da planta e que cria toda essa empatia por ele. Esse estágio, esteticamente, é o mais agradável, mas para a produção de óleo ou sementes é ineficaz. Precisamos que as pétalas caiam e que o capítulo esteja seco para então agir na produção proveniente do girassol”, explica o engenheiro agrônomo do Campus Cacoal, Arnaldo Libório.

De cultura anual, o girassol tem um ciclo de manejo com duração média de 110 dias. Tanto no ensino teórico, em sala de aula, quanto na prática de extensão no campo, o objetivo é mostrar aos alunos todos os ciclos que a planta atravessa. “A compreensão desses estágios fenológicos, da fisiologia das plantas, oferece aos nossos alunos a possibilidade de antever aplicações produtivas e comerciais práticas da produção desta cultura vegetativa”, argumenta Libório.

Ele explica ainda que além das práticas de ensino e extensão, o maior foco na produção de girassóis no campo é sementeiro. “Começamos com uma pequena quantidade de plantas, com sementes que foram doadas a nós pelo Campus Colorado do Oeste. Cada capítulo gera em média 500 grãos que, se armazenados corretamente, podem ser usados para um novo plantio. Hoje temos uma boa quantidade de sementes que nos permitem dar continuidade a este cultivo todos os anos”, detalha o engenheiro.

Mais pólen

As sementes de girassol não servem apenas para a germinação de novas plantas. Elas podem ser utilizadas para o consumo humano, seja através do óleo ou do grão que fica dentro do pericarpo e também para a alimentação de rebanhos e aves, por ser grande fonte de proteínas. Mas, além disso, o cultivo do girassol tem outro objetivo especial no Campus Cacoal.

“Criamos aqui alguns enxames de abelhas, com foco na produção de mel e os girassóis são um excelente pasto apícola. Quando implantamos uma cultura como essa, aumentamos a quantidade de pólen disponível para que elas completem o ciclo necessário à polinização”, destaca o professor de Zootecnia do Campus Cacoal, Marco Antônio de Oliveira.

O alto índice de desmatamento na região, segundo o professor, diminui a flora apícola o que pode comprometer a produção de mel. “Felizmente, nosso campus tem diversificado as culturas e a oferta de pólen às abelhas. A florada do limão, laranja, café, braquiária e de algumas hortaliças também contribuem e somam ao girassol neste quesito”, conta Oliveira.

Debulha

Vitória Lohuanna é aluna do terceiro ano de Agroecologia e participa do estágio que envolve a produção de girassóis. Seu primeiro contato com a planta foi no IFRO e ela explica que o desenvolvimento fenológico da planta chamou sua atenção. “A velocidade com que ela se desenvolve me surpreendeu. Como participei de todo o processo, desde o plantio, pude acompanhar bem o desenvolvimento até a fase final. Além disso, a debulha também me chamou atenção. Não imaginava que fosse dessa forma”, revela a aluna.

O processo a que ela se refere é a retirada das sementes do capítulo já ressecado do girassol, produto que em seguida pode ser utilizado na produção do óleo ou na produção de rações. Em pequenas propriedades ele é feito manualmente, pela fricção dos dedos contra o miolo da flor, que solta os grãos.

“É uma terapia. A gente acaba esquecendo um pouco a rotina enquanto faz a debulha”, opina Vitória, para então contar o que pensa desta produção como futura técnica em Agroecologia. “Creio que para pequenas propriedades não é uma cultura aconselhável, se o objetivo for a venda das sementes para a produção do óleo ou rações. Já em grandes áreas de plantio, creio que pode ser uma boa ideia o cultivo do girassol e bem rentável”.

http://portal.ifro.edu.br/cacoal/noticias/3109


EDIÇÃO DE HOJE Nº 118

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