EDIÇÃO DE HOJE Nº 118

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Do campo à mesa do consumidor, as delícias do milho contribuem com o aumento da renda familiar em Ro


As comemorações ganharam dimensões no Nordeste, mas de Norte a Sul do País as festas juninas fazem a alegria de muita gente. Incentivadas por motivos religiosos, as festas geralmente homenageiam São Pedro, Santo Antônio e São João. Alvo das crendices, superstições e simpatias, são muito lembrados nos festejos, mas na hora de provar as delícias da época, o reinado é do milho.

Por incrível que pareça, as festas juninas, muito tradicionais no Brasil, surgiram na Europa com o objetivo de comemorar a fertilidade da terra e as boas colheitas. Era uma festa pagã e só se tornou parte do calendário cristão na idade média.

As comemorações chegaram ao Brasil junto com os portugueses durante o período colonial, que numa miscigenação cultural (europeia, indígena e africana) transformou-se numa diversidade que mistura cultura religiosa, comidas típicas e valorização da vida no campo. E é no campo que encontramos a base da maioria dos pratos típicos oferecidos nas quermesses das escolas, igrejas e até em condomínios residenciais que aderiram às comemorações: o milho.

Produzido em larga escala para silagens e grãos, o milho faz parte da cultura do campo e é fonte de energia para quase todas as espécies. Em Rondônia encontramos também, principalmente em propriedades de agricultura familiar, a produção de milho para consumo. É o caso do agricultor Antônio Francisco dos Santos, morador da Linha FA 01, em São Felipe do Oeste. Ele, sua esposa Rosilma Diniz e sua filha Rosilva Diniz acreditaram no potencial produtivo e juntos instalaram uma agroindústria para produzir derivados do milho.

A produção varia entre pamonha e curau (canjica), comercializados nas feiras livres de Pimenta Bueno, São Felipe do Oeste e Parecis. “São 400 pamonhas e 200 curaus (canjicas)”, disse o gerente do escritório da Entidade Autárquica de Assistência Técnica e Extensão Rural (mater-RO) de São Felipe do Oeste, Daniel Carlos de Souza, que presta assistência à família.

A família também foi inserida nas políticas de desenvolvimento da agricultura do governo estadual onde comercializa parte da produção para o Programa de Aquisição de Alimento (PAA). Em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), eles entregam semanalmente mil pamonhas.

Também inserida no Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), a família entrega quinzenalmente mais mil pamonhas para a alimentação dos alunos da rede municipal. “Somente com a produção da agroindústria, a renda anual da família ultrapassa os R$ 70 mil”, disse Daniel.

AGROINDÚSTRIA

Com forte potencialidade para a cultura do milho, devido à fertilidade do solo e dedicação dos agricultores familiares, São Felipe do Oeste abriga mais uma agroindústria de produtos derivados do milho. É a pamonharia da dona Clarice Bagatin, da Linha FC 01. Ela e seu filho, Valter Bagatin, produzem, além da pamonha, bolo de milho e curau (canjica).

Assim como a família do seu João, dona Clarice e o filho comercializam os produtos nas feiras livres de Rolim de Moura e Pimenta Bueno e distribuem para pontos comerciais e supermercados locais, gerando uma renda anual de R$ 116 mil.

O gerente da Emater-RO explica que as famílias recebem assessoria desde 1993. “Hoje elas já possuem o selo do Serviço de Inspeção Municipal (SIM), que lhes garante a comercialização de produto devidamente inspecionado”.

As agroindústrias também recebem acompanhamento técnico da Secretaria Municipal de Agricultura e participam do Projeto de Agroecologia, do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), executado pela Emater-RO, além de participarem de outros programas de governo, como o de Habitação Rural e Crédito Rural, com financiamento pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

Curau, a canjica do Nordeste

O município de São Felipe do Oeste não é o único do estado que tem no milho a fonte de renda para seu sustento. Há várias agroindústrias no estado motivadas em levar as delícias do campo beneficiadas à mesa do consumidor. Em Alta Floresta do Oeste, o Rancho das Pamonhas, administrado pelos irmãos Silvano e Sineide da Cruz, tem uma produtividade de duas mil pamonhas por semana, comercializadas nas feiras livres da cidade. A agroindústria é abastecida pela produção da família que cultiva o milho em uma área de 12 hectares, garantindo a produção de milho o ano todo, com um sistema de plantio semanal de 0,75 hectares.

VALOR NUTRITIVO O beneficiamento do milho tem sido muito importante para a geração e aumento da renda da família rural, além de ser um alimento altamente nutritivo, fornecendo inúmeros benefícios à saúde. Entre os quais destaca-se: proteção da mácula ocular, fortalecimento do sistema imunológico, redução dos níveis de colesterol, controle de açúcar no sangue, além de dar energia, ajudar a emagrecer e melhorar o trânsito intestinal.

Apesar de os produtos à base do milho ser apreciados o ano todo, é nos meses de junho e julho que seu consumo aumenta. Nas festas juninas é possível saborear uma variedade de pratos à base do milho como: pamonha, curau, cuscuz, bolo de milho, pipoca, bolo de fubá, entre outros.

Aprenda a fazer pamonha e a verdadeira canjica do Nordeste:

CURAU (CANJICA DO NORDESTE)

Ingredientes: – 4 espigas de milho verde; – 1 xícara e 1/2 de leite; – 1 vidro de leite de coco; – 1 lata de leite condensado ou açúcar (opcional); – 1 colher de manteiga; – 1 pitada de sal; – Canela em pó para polvilhar.

Modo de Preparo – Retire os grãos do milho com uma faca; – Bata no liquidificador com o leite e o leite de coco; – Passe para uma panela e misture os demais ingredientes, menos a canela; – Leve ao fogo até engrossar, mexendo sempre – Passe para uma travessa ou tacinhas e polvilhe a canela em pó;

PAMONHA

Ingredientes – 15 espigas de milho verde; – 150 g de açúcar cristal; – 150 g de manteiga derretida ou gordura de porco derretida; – 1 colher (chá) de sal; – Queijo minas curado; – Palha do milho para enrolar; – Barbante de cozinha.

Modo de Preparo – Rale as espigas de milho em um ralo grosso; – Adicione a manteiga ou a gordura de porco, o açúcar e o sal; – Misture e reserve; – Lave as palhas do milho e deixe-as secar; – Abra 2 palhas e disponha-a uma sobre a outra de modo que e a extremidade de uma sobrepasse a outra em 10 cm; – Coloque 3 colheres (sopa) da massa de milho sobre as palhas preparadas; – Adicione 1 fatia de queijo curado por cima; – Feche as palhas formando um cilindro; – Dobre uma das extremidades da palha sobre a massa; – Em seguida, dobre a outra, formando assim uma trouxa (formato da pamonha); – Amarre com o barbante no sentido longitudinal e transversal; – Reserve; – À parte, coloque cerca de 4 litros de água para ferver; – Quando estiver fervendo, coloque as pamonhas para cozinhar; – Após cerca de 40 minutos de cozimento, retire as pamonhas, escorra o excesso de água, retire a palha do milho e sirva quente.

Fonte Texto: Wania Ressutti Fotos: Emater Secom - Governo de Rondônia


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