Operação ‘Carne Fraca’ preocupa ARR


Presidente da ARR diz que europeus terão um grande poder de barganha sobre o produto.

Desde a última sexta-feira (17) o assunto mais comentado pelos brasileiros é a Operação ‘Carne Fraca’, que foi deflagrada com o objetivo de por fim às atividades ilícitas praticadas por 21 frigoríficos, que vinham descumprindo normas de segurança alimentar – com a chancela de 33 agentes que estão sendo investigados por ter ligação direta com os casos – através do modo como embalavam carnes e fabricavam linguiças, assim como com a utilização de produtos químicos não autorizados. A operação, como bem foi alardeado, foi a maior já realizada pela Polícia Federal (PF), envolvendo mais de 1 mil agentes.

A repercussão, dentro e fora do Brasil, foi de uma intensividade negativa tamanha que alguns partidos europeus já estão pedindo que seja suspendida a importação da carne brasileira. Aqui no País, nas redes sociais, o caso virou motivo de piadas. Teve muita gente manifestando medo também, pois o churrasco do fim de semana é parte inerente da cultura alimentar.

Reunião

O Governo Federal, mais do que depressa, reuniu representantes dos consulados europeus para discutir a questão, apontando a pontualidade dos casos. “É importante sublinhar que dos 11 mil funcionários do Ministério da Agricultura, apenas 33 estão sendo investigados e das 4.837 unidades sujeitas a inspeção federal, delas, apenas 21 estão supostamente envolvidas em irregularidades”, destacou o presidente da República, Michel Temer.

Agronegócio

O setor do agronegócio tem sustentado a economia brasileira, de acordo com os especialistas, nos últimos 13 anos, pelos menos. Em Rondônia, segundo o secretário de Agricultura, Evandro Padovani, o setor mantém segura mais de 50% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual.

O presidente da Associação Rural de Rondônia (ARR), Sérgio Ferreira, vê com bons olhos a realização da operação, mas teme pelo modo como foi feita a divulgação. “A operação esteve em curso durante dois anos. Se, de fato, havia utilização de produtos que podem gerar câncer nas pessoas, a PF deveria ter, de imediato, solicitado a suspeição das operações desses frigoríficos, pois é uma questão de saúde pública”, expôs Ferreira.

Barganha

“O agronegócio, sobretudo o setor da pecuária, poderá ser prejudicado pelo modo como a coisa toda foi divulgada. Se os europeus, nossos principais clientes, começarem a suspender as importações de nossos produtos, eles ganham uma poderosa ferramenta de barganha, pois, só em Rondônia, abatemos uma média de 200 mil bois por mês, se eles quiserem baixar o preço, não teremos outra opção, pois o que faremos com toda essa produção?”, questionou Sérgio Ferreira.

Investimento e zelo pela carne em Rondônia

Sérgio Ferreira destacou que a ARR é totalmente a favor de que faça operações do tipo e investigações para evitar que práticas como esta voltem a se repetir, mas que a maneira de fazer a divulgação precisa ser bem pensada para não prejudicar uma maioria de bem no afã de punir uma minoria que pratica tais atos. “Aqui no Estado, sempre que tem uma campanha de vacinação, a gente ajuda a massificar a ideia da importância que é nos mantermos zona livre da aftosa, que pesa positivamente para nós. Rondônia tem um rebanho de 13,2 milhões de cabeças de gado, são mais de 60 mil produtores que cumprem à risca suas obrigações legais, no que tange ao trato com o animal; não é à toa que nossa carne é uma das mais cobiçadas, pois trabalhamos com pastagem aberta e não com confinamentos, temos o chamado ‘boi verde”, pontuou o presidente.

Esperamos que os culpados por essas práticas ilícitas sejam punidos rigorosamente, pois servirão de exemplo. Também esperamos que os desfecho da operação não afete negativamente nossa economia, tanto de Rondônia como do Brasil como um todo”, finalizou Sérgio.

Por Fernando PereiraDIÁRIO DA AMAZÔNIA


EDIÇÃO DE HOJE Nº 118

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