Meganha: Diretor e agentes são presos por facilitar entrada de drogas e celulares em presídios


Organização criminosa tinha como fim do tráfico de drogas, diz Polícia Civil.

Onze agentes penitenciários, entre eles um diretor, foram presos nesta quinta-feira (9) apontados como integrantes de uma organização criminosa que atuava em roubo, receptação de veículo, facilitação de entrada de drogas e celulares em presídio. A quadrilha era formada por servidores públicos e também por presidiários. Conforme a polícia, a operação concentrou-se do Presídio Ênio Pinheiro, onde os agentes foram flagrados em churrascos junto com os presos e saídas irregulares.

No total, de 31 mandados de prisão representados pela Operação Meganha, 26 foram cumpridos, sendo que cinco não foram encontrados no endereço. Foram ainda solicitados o afastamento de seis agentes do serviço público. Os agentes presos serão encaminhados para o Centro de Correição da Polícia Militar. As prisões foram determinadas pela Justiça estadual. De acordo com a delegada Ingrid Brandão, da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), a investigação começou há pelo menos um ano e meio, quando um agente penitenciário foi preso por receptação de veículo. “Durante a instrução do flagrante foi identificado que o veículo foi recebido pelo agente da esposa de um apenado. E considerando aquela época, a investigação que desencadeou a operação Clone no ano passado, esse procedimento foi encaminhado junto com o procedimento da clone para a Draco. Com o desenrolar das investigações, nós identificamos que eram procedimentos e grupos que atavam de forma distinta. Um era focado no furto e roubo de veículos com alteração de sinais identificadores e este outro era voltado para uma organização criminosa voltada para o tráfico de drogas, que culminou na prisão dos agentes penitenciários”, esclarece a delegada. A investigação revelou ainda a existência de vários núcleos que agiam de forma diferentes, mas que o principal foco o tráfico de drogas. Os agentes eram os facilitadores para a entrada dessa droga e também de armas e celulares. “No decorrer da investigação, a gente não conseguiu identificar qual serviço o agente penitenciário prestou ao líder da organização para receber o veículo como forma de pagamento. No entanto, foi constatada que o tráfico de drogas era moeda de troca. Os agentes facilitavam entrada como drogas, armas e celulares e principalmente saídas e transferências de unidades prisionais. Há casos de fugas também. O Ênio Pinheiro é tido como um presídio que possui maiores facilidades, sendo por isso o foco principal da investigação”, afirmam Ingrid Brandão. Ainda conforme a delegada, o relacionamento dos agentes com os presos acontecia diretamente dentro do presídio e chegaram ao ponto serem flagrados “saindo de forma irregular com os presos. Há um caso, por exemplo, que o apenado está dirigindo o carro do agente, nessa mesma situação o apenado paga o almoço do agente, outra que vai buscar filho do agente na escola”. Sobre a possibilidade de envolvimento de advogados na organização criminosa, a delegada explica que “existem dois advogados que figuram como possíveis investigados, são suspeitos. Há indícios da participação deles em falsificação de documentos, mas não há como precisar qual a real participação deles”.


EDIÇÃO DE HOJE Nº 118

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