Sem assistência do município, distrito de Surpresa tem apoio do governo de Rondônia


Demandas dos moradores do distrito de Surpresa são apresentadas ao governo do estado regularmente. Como o município de Guajará-Mirim sofre com a falta de dinheiro, e sequer tem prefeito eleito, já que a eleição de 2016 foi anulada e a suplementar está prevista para 2 de abril deste ano, é na Secretaria Executiva Regional, organismo do governo estadual, que a população é atendida.

“Agora, estamos ainda mais próximos. Temos um servidor nomeado para acompanhar pessoalmente todos os serviços”, explicou a secretária Genilda Flores da Silva.

O servidor é Wilson da Silva Lima, um faz-tudo. Pode ser visto pilotando uma motocicleta, dirigindo uma das poucas caminhonetes existentes no distrito, descarregando equipamentos ou participando de reunião com moradores. Com ele, ficou mais fácil o governo de Rondônia ajudar Surpresa, segundo os moradores.

Como secretária regional, Genilda é quem recebe e trata do encaminhamento dos pedidos de providencias vindos das lideranças de Guajará-Mirim e Nova Mamoré, atendidos pela regional.

Os documentos com os pedidos dos moradores chegam à Secretaria Regional e de lá seguem para os órgãos responsáveis pelo atendimento. Mas tudo passa pela Procuradoria Geral do Estado, que avalia a legalidade de cada pedido que chega.

E atender a Surpresa é um desafio. Os rios Mamoré e Guaporé são a via principal de acesso. De voadeira, os barcos pequenos, é possível fazer o trajeto até Guajará em quatro horas. Nas embarcações maiores, pode durar até 36 horas.

Os maiores problemas surgiram com a enchente de 2014, que abalou parte da estrutura do distrito, próximo ao porto. Edificações de órgãos públicos e casas foram destruídas ou ficaram comprometidas. Foi preciso refazer muita coisa.

E Surpresa está na metade do caminho entre Guajará e Costa Marques, outro município do Vale do Guaporé. Chegar e sair é muito difícil. Os moradores pagam caro pelo transporte, que na maioria dos casos está nas mãos de particulares.

A secretária Genilda evita fazer promessas antes de concretizar cada atendimento, mas deixa claro que está em andamento a aquisição de um barco para atender os moradores.

Governador Confúcio Moura entregou a escola municipal reformada

Governador Confúcio Moura entregou a escola municipal reformada

A internet é outra necessidade dos cerca de 1.200 moradores. Há um serviço prestado por um empresário de Costa Marques. Poucas casas são atendidas e qualidade deixa a desejar. “Para navegar nos sites até serve. Também é bom para o ‘zap-zap’”, disse um morador.

Genilda articulou um sistema que vai baratear o custo de R$ 1 milhão por antena, que é quanto está sendo cobrado para levar a comunicação digital farta ao distrito. O sistema que ela vai apresentar nos próximos dias funciona melhor e pode ser contratado através da associação de moradores do distrito.

O governador Confúcio Moura concordou com a proposta. Segundo ele, é viável e vai deixar os moradores conectados com o mundo, podendo utilizar este meio para comercializar produtos locais e gerar riquezas.

CRIMINALIDADE ZERO

Surpresa ainda é um lugar sem criminalidade. As pequenas rusgas envolvem vizinhos e tudo se resolve com o pequeno efetivo das polícias Civil e Militar mantido ali. Quase todos os moradores se conhecem, mas muita gente nova está chegando.

Ao primeiro olhar é fácil perceber que o distrito carece de muitas coisas. As ruas são irregulares por causa da erosão que vem com as chuvas. As casas humildes podem ter também plantações de mandioca, frutas, legumes e verduras.

“Aqui podemos criar bem nossas crianças. Não há crimes, nossa alimentação não contém agentes químicos prejudiciais, e quem tem muito reparte com o vizinhos” – Fábio Mendes Souza, professor em Surpresa

Apesar da carência, das crianças aos adultos, todos saúdam carinhosamente quem chega. O bom dia, boa tarde e boa noite são carregados de perceptível afetividade.

O professor Fábio Mendes de Souza dá aula nas duas escolas do município. E está feliz. Saiu de Guajará-Mirim há 25 anos e não quer sair de Surpresa. “Aqui podemos criar bem nossas crianças. Não há crimes, nossa alimentação não contém agentes químicos prejudiciais, e quem tem muito reparte com o vizinhos”, explicou.

As terras da zona rural, chamado de setor centro, não alagam. E o preço corresponde a apenas 10% do que é comum, por exemplo, nos municípios situados ao longo da BR-429, também no Vale do Guaporé. Por isto, fazendeiros de São Miguel, São Francisco, Seringueiras e Costa Marques estão chegando e tomando conta da área rural.

Mas para cada família que chega para ocupar muitas terras, outras cinco saem, são as que venderam suas propriedades. Por isto a densidade populacional é a mesma desde o último censo.

Moradores cultivam mandioca

LUGAR QUE SEDUZ

Gente que não quer ir embora de Surpresa é fácil encontrar. A professora Maria Cruz Alves Guassace é diretora da Escola Municipal Judas Tadeu. Assim como boa parte das mulheres, saiu para estudar fora e voltou formada.

O aposentado João Azevedo é outro exemplo de quem veio para ficar e só tem elogios para Surpresa. Veio de Imperatriz, no Maranhão, fugindo da fome e da “pistolagem”. “Estava muito violento por lá. Meu irmão me ofereceu terra para plantar, passagem e lugar para morar, e vim”, conta.

Acostumou-se à fartura de carne, peixe, frutas e legumes. Coisa difícil no Maranhão. “Não saio daqui. É tranquilo, o povo é bom”, diz João Azevedo, que está instalado com sua esposa e alguns filhos.

Fonte Texto: Nonato Cruz Fotos: Alex Leite, Bruno Corsino e Jeferson Mota Secom - Governo de Rondônia


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