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Policiais de MT são vítimas de supostas falhas de pistolas Taurus


Caso mais recente ocorreu em fevereiro; vítimas estão se organizando nas redes

Policiais militares de Mato Grosso estão sendo vítimas do possível mau funcionamento da pistola Taurus 24/7. De acordo com as vítimas, a arma tem travado, disparado em caso de queda ou mesmo sem o acionamento do gartilho.

No início de agosto de 2016, o soldado Élcio Ramos Leite morreu aos 29 anos, durante confronto no bairro CPA III. Em uma troca de tiros, a pistola de Élcio teria travado e ele acabou sendo morto.

Em um caso mais recente, o soldado Weverton Silva, de 28 anos, foi vítima de um disparo não acionado, no início de fevereiro, enquanto conversava com amigos.

”Eu estava sentado na casa de um amigo, conversando com ele. Quando levantei para ir ao banheiro, sem ao menos tocar na pistola, ela disparou em mim, entrando na virilha e saindo na nádega”, conta.

Após o incidente, o policial começou a participar do grupo do Facebook "Vítimas da Taurus", organizado pelo tenente Alexandre Fernandes de Castro, de Goiás, que também foi ferido acidentalmente pela queda da pistola em 2013.

“Conversei com o tenente de Goiás e estou tentando reunir todas as vítimas de Mato Grosso, inclusive parentes do policial que morreu ano passado em confronto no CPA”, disse Silva, que garante ter encontrado oito policiais vítimas da pistola em Mato Grosso.

“Em contato com outras pessoas do grupo, vi que é realmente uma falha da arma. Não é possível que uma pistola dispare assim”, lamenta.

O grupo, que já soma 24.608 curtidas no Facebook, contabilizou em torno de 110 supostas vítimas da pistola no País inteiro.

“A nossa intenção primordial hoje é que a fabricante indenize as vítimas brasileiras de forma a reparar os danos. Não com qualquer valor, mas de forma justa. A segunda intenção é que ela reconheça os defeitos dessas armas, como já foi comprovado pelo Exército brasileiro. É preciso uma reparação material deste armamento”, disse o tenente Castro.

Marcus Mesquita/MidiaNews

Secretário de Segurança diz que está montando uma comissão para apurar o caso

De acordo com o advogado Carlos Frederick, que atua em defesa da Associação dos Cabos e Sargentos da PM e Bombeiros de Mato Grosso, a orientação para as vítimas, primeiramente, seria de acionar juridicamente o Estado, que é responsável pela compra do armamento.

“Já tive algumas consultas no meu escritório sobre essa questão. A responsabilidade principal desse armamento é do Estado, porque ele responde objetivamente pelos fatos que ocorrem no serviço público. O Estado seria o primeiro responsável. E, na realidade, ele tem demorado em dar uma solução para este problema”, explicou.

No mesmo mês do acidente do PM Élcio Ramos Leite, o Ministério Público Estadual (MPE) instaurou um inquérito civil para investigar supostas falhas nas armas, conforme divulgou o MidiaNews.

O procedimento de investigação foi instaurado pelo promotor de Justiça Mauro Zaque, do Núcleo de Defesa do Patrimônio Público, por meio da portaria nº 18/2016, assinada no dia 10 de agosto.

Questionado sobre os incidentes, o secretário de Segurança Pública, Rogers Jarbas, afirmou que uma comissão especializada está sendo montada para investigar os casos, assim como um planejamento está sendo organizado para troca das pistolas em seis anos e, se possível, fazer compras de armamento internacional.

“Essa comissão é composta por profissionais especialistas em equipamentos bélicos, armamentos e munições. Eles vão desenvolver ações para identificar qual melhor equipamento bélico para ser usado no Estado de Mato Grosso. A partir do resultado da comissão, nós vamos buscar, em primeiro momento, comprar armamento e munição de qualidade para o Estado”, disse.

http://www.midianews.com.br


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